TPU foi um dos materiais a serem descobertos e utilizados enquanto produto quimicamente natural, e assim como a borracha (a ´havea brasiliensis´) é material reciclável. TPU nada mais é que um elastômero quimicamente modificado, tornando possível sua aplicação em muitos segmentos, inclusive no desenvolvimento de material esportivo, como a bola de futebol.
O que é um elastômero? É um polímero que à temperatura ambiente poder ser deformado, ou seja, perder sua forma constante: se estirarmos um elastômero, ele tende a ser duas vezes maior do que seu tamanho original, e após retirarmos esta força ele volta à sua forma imediatamente. O condicionamento da borracha é feito para que ela sirva diversos objetivos industriais e comerciais, e para cada um deles ela recebe aditivos específicos.
O poliuretano [PU], por ex., contém segmentos lineares flexíveis enovelados e rígidos empacotados capazes de fundir, sem degradação das ligações uretânicas. São essencialmente cadeias lineares de peso molecular da ordem de 15.000 a 40.000 e possuem temperatura de transição vítrea abaixo de 0°C. A grande diversidade de combinações de segmentos flexíveis e rígidos pode ser formulada como materiais diferentes, desde os elastoméricos macios e flexíveis, aos plásticos duros com alto módulo.
Para processar, ou fabricar filmes, seja qual for o material polimérico, o método é a extrusão: o material polimérico passa por uma extrusora balão, tensionando ou puxando este material após a matriz de moldagem [este tensionamento é realizado Bi-axialmente, ou seja, é puxado pela tranversal e longitunal do filme], e quanto menor a saída do filme pela matriz, e maior a tensão exercida sobre o mesmo, a espessura tende a ficar mais fina. É este filme finíssimo que vai envolver, por ex., a bola de futebol tornando-a mais resistente e dinâmica.
TPU & Serigrafia
A serigrafia aplicada sobre objetos específicos, como a bola de futebol, vai depender de alguns fatores:
1º- Confecção da Matriz: deverá seguir sempre as normas técnicas adequadas, para que a mesma obtenha qualidade final do produto acabado;
2º- Rodo: trabalhar com um rodo macio, para que o mesmo obtenha uma conformidade junto à geometria da bola.
Obs Técnica: se o TPU já estiver aplicado sobre a bola, se não estiver, aplicar a técnica de impressão plana. Quanto à tinta, o serigrafista deverá observar o processo de aplicação como um todo. Sabendo qual é o material que será impresso, deve levar em conta a aplicação da tinta correta. Neste caso, sendo um elastômero, a tinta deverá ser a PU, pois é da mesma origem: existem manuais de muitos fabricantes de tintas que poderão auxiliar o serigrafista. Fazer testes é a melhor maneira de se chegar a um produto final de ótima qualidade.
Rodrigo Zucoly
Com o avanço da tecnologia em tintas, o serígrafo brasileiro não tem a necessidade de “adivinhar” qual a resina certa para cada material, pois, os boletins técnicos vêm se tornando grandes aliados, mas..., quando o assunto é borracha ou EVA (Copolímero de Etileno-Acetato de Vinila), muitos se perguntam qual a tinta certa para este tipo de material.
A tinta vinílica vem sendo usada para trabalhos em EVA, seja vinílica brilhante ou fosca, mas esta tinta solta se do substrato. Hoje, empresas do ramo de serigrafia oferecem Tinta para EVA: é uma tinta específica para este material, mas recomendo que se faça um lote piloto de algumas peças, para que a mesma se sujeite aos testes de aderência.
Eis um pequeno exemplo: a tinta vinílica é um composto do próprio PVC, ou seja, a tinta vinílica é o plástico PVC, mas em estado líquido ou emulsão, cujo peso molecular é inferior a 5.000 Mn; entretanto, o plástico PVC possui seu peso molecular acima de 10.000 ou milhares, consistindo o polímero PVC. O ideal para que o serígrafo tenha uma tinta de excelente qualidade, é que ela seja do tipo emulsão.
Já existe um produto auxiliar para borrachas e uma tinta bi-componente, e o processo é o seguinte: o substrato ou material deverá ser limpo, e logo o promotor de aderência deve ser aplicado, e após alguns minutos, a tinta já catalisada poderá ser aplicada sobre o material. Recomendo sempre que possível entre em contato com seu fornecedor de tintas, para melhores resultados.
Rodrigo Zucoly
tecnico_plastsilk@hotmail.com
A versatilidade associada à impressão serigráfica permite que se utilize esta técnica para decorar uma variedade de substratos, entre eles os materiais auto-adesivos. Antes de falarmos sobre a evolução do processo relacionado à impressão de auto-adesivos, vamos abordar, rapidamente, as características gerais.
Histórico do Policloreto de Vinila [PVC]
O plástico PVC, sigla para policloreto de vinila, é um dos materiais mais tradicionais e, ao mesmo tempo, mais avançados e utilizados nos dias atuais. O cloreto de vinila, matéria-prima base da produção do PVC, foi sintetizado pela primeira vez em 1835, no laboratório do cientista alemão, Justus Von Liebig. Os primeiros trabalhos de Victor Regnault, em 1839, já relatavam a aparição de um pó branco após a exposição solar do gás Cloreto de Vinila. Foi constatado que se tratava de policloreto de vinilideno. O cientista A. W. Hoffman, em 1860, publicou a descoberta do polibrometo de vinila. Somente em 1872, através de E. Baumann, surgiram os primeiros registros da polimerização do cloreto de vinila e a obtenção do PVC. Em 1912, Fritz Klatte descobriu os meios para produzir em maior escala o PVC. Entretanto, a produção comercial não estava viabilizada devido à falta de estabilidade térmica. O fato levou à paralisação de várias patentes, fazendo com que se abrisse o caminho para as empresas investirem na produção do PVC. Essa resina teve de esperar até o final da década de 1920 para ser produzida em escala comercial. O primeiro produto comercial em PVC foi elaborado nos Estados Unidos em 1929. Na Inglaterra a produção de PVC começou com uma década de atraso.
O PVC é um material que se diferencia por não ser feito 100% de petróleo, o PVC é constituído de 57% de seu peso em cloro (derivado do cloreto de sódio, nada mais que o sal de cozinha) e 43% de eteno (derivado do petróleo). Isso significa que sua principal matéria-prima é sal marinho, um recurso natural considerado inesgotável; a parcela de eteno, que tem origem no petróleo, já pode ser substituída pela cana de açúcar, permitindo que a resina seja derivada de matérias-primas 100% inesgotáveis.A partir do sal, pelo processo de eletrólise, obtém-se o cloro, soda cáustica e hidrogênio, método que consiste na passagem de uma corrente elétrica por água salgada (salmoura), e na etapa seguinte o gás eteno, vindo da cadeia petroquímica, reage com o cloro em fase gasosa formando um produto intermediário chamado dicloro etano (DCE), logo submetido a alta temperatura para se transformar no gás cloreto de vinila (MVC) que se ligam, formando a resina de PVC, um pó fino, de cor branca.
A resina de PVC sempre deve ser aditivada para tomar as características necessárias aos produtos finais; o PVC é um termoplástico, pode ser reprocessado infinitas vezes; sendo versátil e leve, é um material atóxico, ou seja, livre de metais pesados como Chumbo, Zinco, Cádmio, muito resistente à ação de fungos, bactérias e insetos. Tem boa conservação, e de uma maneira geral resiste a condições climáticas adversas como alta exposição ao sol, chuva, vento e maresia, podendo ser fabricado em diversas cores. Pode ser transparente, opaco, translúcido, brilhante, metalizado e cristalino, podendo ser impresso e encontrado nas formas rígida e flexível. Tem ótimo isolamento térmico, elétrico e acústico apresentando boa durabilidade em construções, pois sua vida útil, em muitos casos, passa de 50 anos (tubos e conexões, janelas, fios e cabos, laminados, etc.). É impermeável a gases e líquidos e não propaga chamas devido às moléculas de cloro que fazem parte de sua composição. É auto-extinguível e resistente a choques sendo muito utilizado na proteção de fios, cabos e itens da indústria da construção, da automobilística, de eletrodomésticos, de bens de uso, entre outras.
O PVC é ambientalmente correto, podendo ser reciclado e é fabricado com baixo custo de energia. O PVC se destaca por suas principais características:
Leveza (1,4 g/cm3), o que facilita seu manuseio e aplicação.
• Resistência à ação de fungos, bactérias, insetos e roedores.
• Resistência à maioria dos reagentes químicos.
• Bom isolamento térmico, elétrico e acústico.
• Resistência a choques.
• Impermeabilidade a gases e líquidos.
• Resistência às intempéries (sol, chuva, vento e maresia).
• Durabilidade: sua vida útil em construções é superior a 50 anos.
• Não propagação de chamas: é auto-extinguível.
• Versatilidade e é ambientalmente correto.
• 100% reciclável e reciclado.
• Fabricação com baixo consumo de energia.
Composição do Vinil Auto-Adesivo
O material auto-adesivo é uma película: uma fina camada de adesivo “cola” sensível à pressão. Ele é composto da seguinte forma: FRONTAL - A parte visível do material, que recebe a impressão serigráfica para inúmeras formas de decoração; ADESIVO - A substância que proporciona a aderência do material ao substrato em que é aplicado; LINER - Papel protetor que é retirado quando o material vai ser aplicado no substrato.
Frontal A escolha do frontal deve ser feita de acordo com a utilização que for dada ao auto-adesivo, para a criação de materiais de ponto-de-venda, o mais usado (PVC), tornando-se o material mais recomendado para este tipo de aplicação por vários motivos. Em primeiro lugar, dependendo da qualidade do vinil adquirido, ele se adapta com facilidade ás superfícies em que é aplicado, o que permite seu uso na decoração de frotas, por exemplo: mesmo quando o veículo apresentar uma superfície irregular.
Os vinis de alto desempenho [ou materiais de engenharia] também são bastante utilizados para a exposição externa, por serem resistentes as intempéries, isto, porque este material é resistente ao rasgo e ao atrito, além de garantir a durabilidade para as aplicações.
Adesivo
É importante que o serígrafo saiba que, ao contrário do que a maioria pensa, não existe um adesivo universal, existem diversos tipos de adesivos que podem ser utilizados de acordo com cada tipo de aplicação, o que implica a necessidade do profissional conhecer melhor a oferta de adesivos oferecidos pelo mercado, o que está adquirindo quando leva um vinil auto-adesivo para sua empresa.
As diferenças entre os adesivos se baseiam, de forma geral, na adequação á superfície á qual ele entrará em contato. Podemos dizer que o serígrafo tem alguns adesivos á sua disposição.
Liner Trata-se do papel protetor que é retirado quando o material auto-adesivo vai ser aplicado, apesar de jogado fora após a aplicação, o liner é extremamente importante, pois recebe um tratamento de silicone para tornar antiaderente, ou seja, para não ficar grudado na parte adesiva no material. O liner pode ser do tipo translúcido ou branco.
Estabilidade Dimensional do Vinil
A estabilidade dimensional de qualquer vinil seja para aplicação em serigrafia e até mesmo para plotter de recorte, os vinis é um dos principais problemas que o serígrafo encontrar, pois interfere diretamente no registro das cores, todo material auto-adesivo, como também o vinil, recebe uma tensão de trabalho, isto é, a película ou filme é estirado em dois sentidos um longitudinal e o outro transversal durante o processamento na máquina extrusora.
Quando o serígrafo compra o material em rolo e o corta em tiras para impressão serigráfica, o material “descansa” e perde essa tensão, encolhendo-se, para quem trabalha com sinalização, o singmaker, precisa trabalhar rápido, logo que se recorta o vinil, deve-se capilar rápido e aplicar a máscara de transferência, esta necessidade de “descansar” o material pelo menos 24 horas, antes da impressão, mas cortado na medida antes de iniciar a impressão serigráfica.
Os vinis podem ser produzidos por dois processos:
O processamento calandrado é um material mais nobre que apresenta um encolhimento aceitável 4% no sentido longitudinal e 0,5% no sentido transversal. Já o material extrudado, muito utilizado em vinis auto-adesivos, apresenta 7% de encolhimento longitudinal e 4% no transversal, também requer descanso de pelo menos de 24 horas para perder a tensão. A temperatura é outro fator de grande interferência na estabilidade dimensional do vinil auto-adesivo, temperaturas acima de 40o C também provocam a retração do material, é evidente que nem todo mundo pode ter um sistema de controle de temperatura, mais é importante saber dessa interferência. O vinil auto-adesivo está disponível nas espessuras de 45, 50, 80 100 e 120 mícrons, e, quanto mais fino for o material, menor estabilidade dimensional terá.
É importante observar que, para trabalhos de precisão, nos quais o registro é importante não é aconselhável o uso de materiais muito finos quanto maior for á espessura do filme, maior será sua resistência mecânica e química.
Outro fator de importância na estabilidade dimensional é a camada de tinta, no processo serigráfico, a camada de tinta é bem mais grossa do que em outros processos de impressão, é importante observar que quanto mais fino for o material, mais fina deve se a camada de tinta, assim é possível evitar maior retração, o uso excessivo de solventes nas tintas também poderá retrair o material, interferindo bastante no registro das cores.