Da Historiografia Luso-Brasileira Entre os Anos 60 e 90 do Séc. XVI, à olaria e à fiação dos nativos junta-se outra atividade econômica: a mineração de pedras preciosas, em locais como o morro Byturuna [Araçariguama], e o primeiro esboço de siderurgia da América, no morro chamado Byraçoiaba, em plena Floresta Ypanen [Ipanema] algumas milhas a oeste da Villa de São Paulo. Do contato direto e escravagista com os nativos é que colonos como Afonso Sardinha [o Velho], por ex., puderam estabelecer uma linha de atividades agrícola, comercial, mineira e siderúrgica, que logo produziu efeitos de assentamento definitivo a gerar, ainda, o mameluco - o filho de branco com nativa americana, i.e., o luso-brasileiro. Uma atividade de transformação de matéria-prima, ou ofício industrial, iniciou-se, assim, com o velho Sardinha, paralela à manufatura que já existia com a olaria e a tecelagem rudimentares dos povos nativos. O que não se pode ignorar, mesmo em trabalhos lítero-históricos relacionados a Estamparia... Na “[...] época das chamadas grandes navegações ibéricas, quatro ofícios são de capital importância: carpinteiro, ferrador, marinheiro-piloto e debuchador[a]. E o/a debuchador[a] é aquela pessoa de ´saber prático´ que irá desempenhar um papel de extrema importância na ajuda ao assentamento colonial da gente portuguesa no Brasil... pois, ela vai transmitir um saber tecnológico e artístico que estará na base da fiação, tecelagem e tinturaria dos primeiros núcleos têxteis familiares da colônia” [Macedo, 1974]. Esta observação do poeta J. C. Macedo, feita após a leitura do poema “nas linhas traçadas que dão o pano” [1973], remete-nos para uma figura que hoje, no Séc. XXI, continua como profissional-chave no processo têxtil e na estamparia, em geral: o/a designer, um nome mais ´modernérrino´ diante das tecnologias da era digital que agita a estamparia, em geral, e a técnica de sublimação. [João Barcellos – in “Estamparia”]
Hoje: Têxtil, Serigrafia & Impressão Digital A presença têxtil é ainda, e vai continuar a ser, aquele outro ouro que no Brasil se trabalha com sabedoria e muita arte. A troca de tecnologias no chão de fábrica possibilitou, entre os Sécs XX e XXI, uma interação profissional que, por sua vez, atualizou velhos mestres de serviços técnicos e artesanais, além de permitir a abertura dos parques têxtil e têxtil-serigráfico ao universo da era digital. Hoje, as artes têxteis e serigráficas convivem com a plotagem [impressão digital] de estamparia direta e a técnica de sublimação. É a estamparia no seu todo tendo a era digital como meio e não como um fim tecnológico, porque as tecnologias são como a pessoa humana: vão e vêm, interagem, e a cada nova geração uma determinada modernidade se instala sem poder esquecer o passado estampado na nova história.
Fotos do Painel: Arquivo TNC/I&C.