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IC MATÉRIA PRINCIPAL Ed. 26 IC

Cores & Pigmentos
as cores são a tradução do espectro da luz

Carlota M. Moreyra / João Barcellos

Cor, cor e luz. Luz e sombra, matizes e tons, mono e policromia. Eis o maravilhoso mundo das sensações que o olhar humano pode receber pela sua própria natureza telúrico-cósmica. E os nossos sentimentos podem ser sinalizados pelas cores que tingem a nossa roupa, se estamos alegres ou tristes, daí que a cor seja tão fundamental na nossa vivência cotidiana. Por outro lado, transmitimos sensações a outras pessoas através objetos, utilitários ou não, pelas cores que neles estampamos, por isso, desenvolvemos uma comunicação visual através de diversos processos técnicos de impressão. Mas, como é que chegamos lá? Como é que, a certa altura da nossa existência civilizacional, conseguimos dar início à reprodução das cores [matizes e tons] que nos cercavam? Ora, nós éramos ´a pessoa´ a pensar e rodeada de cores por todos os lados... Ah, que infinito de beleza! Ao lascar árvores e minerais, e aproveitar material animal, fomos encontrando materiais que nos davam a sensação da redescoberta daquelas cores – eram os pigmentos. E o mundo humano nunca mais foi o mesmo... Percebemos a cor-luz nos comprimentos de onda do espectro que nos é dado observar na reflexão dos raios, mas também a cor-pigmento, ou, a cor contida na substância [massa de matéria], tal como aprendemos nas primeiras noções elementares de física e química, logo após as primeiras letras. Com os olhos focamos um objeto, controlamos até a quantidade de luz que entra para reproduzirmos uma imagem nítida. Os olhos vêem um objeto mais ou menos na mesma altura embora, mas a partir de dois pontos diferentes e ângulos distintos: através do nervo ótico [que é a continuação das células nervosas da retina] as duas imagens são enviadas ao cérebro e, aí, formam uma só e tridimensional. É a partir daqui que a pessoa entende os atributos da cor, i.e., a matiz, a intensidade e a saturação, sendo a saturação a medida do branco diluído numa cor e que pode ser alterada com a adição de tons de cinza. Por outro lado, aprendemos que qualquer cor do espectro pode ser obtida de uma combinação de proporções – a saber: vermelho [7230-6470 A], verde [5750-4920 A] e azul [4920-4500 A]. Eis que vermelho, verde e azul, são as chamadas cores primárias. E, o que é o Pigmento? Pigmentos estão nas coisas e nos seres. São compostos químicos dos quais resultam as cores da fauna e da flora. E na nossa pele, nos nossos olhos e cabelos, é o pigmento que nos dá a cor que nos distingue. Para tingir, dar cor, a tintas, cerâmicas, tecidos, plásticos, etc., o pigmento é um corante seco na forma de pó insolúvel. Foi possível, ao longo de milênios, constituir uma gama de cromia tintureira pela sintetização de pigmentos, e a ambição de ter a cor sob domínio levou, aí, à cor-pigmento na aplicação pela fusão de três cores primárias, que são azul-ciano, amarelo e magenta, que traduzem a cor-luz [vermelho, verde e azul], tendo o branco como a presença total da luz, e o preto [´k´] a sua ausência. Pigmento pode ser natural [orgânico/inorgânico] ou sintético, e age na absorção seletiva de partes do espectro enquanto reflete outras partes. No caso da estamparia tradicional e serigráfica, as cores são aplicadas como material sólido, na forma de pastas/tintas, ou como material líquido, na forma de corantes. E seja a impressão convencional ou digital, cabe a quem sabe formular uma cor a partir de uma idéia, ou de uma imagem, garantir o progresso tecnológico químico e físico.

MOREYRA, Carlota M. – Profª de Artes Gráficas, Paris/Fr. BARCELLOS, João – Escritor e Conferencista, São Paulo / Br.

Imagens: HP, QuinPrint, FujiFilm-Sericol, Tec-Screen e Arq JB.

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