A psicóloga e socióloga suíça Elen R. Cédron costuma dizer que “uma empresa sustenta-se no sucesso enquanto os seus recursos humanos atuam em harmonia social e profissional”. Nada mais preciso e precioso. No entanto, muitas empresas que acabam por alcançar o sucesso nos seus respectivos mercados, logo enfrentam problemas internos. O que se passa?...
A jornalista e professora Marta Novaes, que estudou vários casos na Argentina e no Chile, afirma que “o sucesso de uma empresa acarreta uma responsabilidade ética que raramente é observada, ou seja, executivos e técnicos aproveitam o êxito de um produto e se escondem nele não repassando informações ao todo industrial que originou tal produto, e a empresa sofre com a chantagem”. Ouvi o mesmo de empresárias e empresários no Brasil, na Espanha e em Portugal: “...a pessoa cresce na empresa, que lhe paga os estudos e o aperfeiçoamento profissional, mas na primeira oportunidade... ou vende os conhecimentos para a concorrência, ou chantageia a administração para continuar a reinar ali mesmo, mas impedindo o resto do pessoal de ter acesso aos dados técnicos”, diziam e dizem.
Como combater a chantagem funcional de executivos e técnicos que cometem o crime ético?
Para o psiquiatra Marc R. Cédron, pai da psicóloga citada, “a chantagem que fere a ética profissional deve ser combatida com tratamento de choque: pessoa que rompe a harmonia de um ambiente de trabalho coletivo deve ser [...], primeiro, isolada e instada a repassar as informações retidas por ela; segundo, caso não o faça, a empresa deve elaborar uma queixa-crime na justiça enquanto a despede por justa causa, uma vez que os dados retidos são pertença da instituição e não podem passar para outra sem uma negociação adequada; e terceiro, aproveitar o caso para demonstrar que uma empresa é um coletivo de classes sócio-profissionais que devem atuar com ética e para o bem comum”.
A chantagem é uma das armas mais comuns utilizadas no universo empresarial, mas o caso mais grave é o da pessoa que foi instruída pela empresa para receber uma educação especializada e que, depois, passa a exigir ´status´ de ´eu quero, tenho a informação e mando´, deixando esse núcleo empresarial à sua mercê... porque, “ou fazem o que eu quero ou vou embora!”, ouve-se muitas vezes. É uma chantagem funcional que levará, em pouco tempo, uma empresa de sucesso à ruína plena.
A serigrafista e micro-empresária brasileira Maria Arruda diz que “uma empresa deve cuidar do quadro de funcionários da mesma maneira que uma mãe e um pai olham para os filhos: com a humanidade que constrói a lealdade”. Isso não significa que um caso de crime ético não ocorra e a chantagem não surja, mas também é verdade que não basta pagar um curso, uma especialidade, é preciso acompanhar socialmente a pessoa que se quer uma profissional mais bem preparada.
João Barcellos
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