Descobrir Espaços
& Reinventar Metas
Depois que a rolha da garrafa de champagne estourou, aparecem muitas pessoas para um lamento colossal: o ano novo que chega vai ser pior do que aquele que se foi...
É assim, ano após ano. As pessoas não conseguiram apreender dos povos antigos a essência da longevidade, ou seja, a vivência que sustenta o amanhã que se faz hoje. Parece até um verso de Fernando Pessoa, mas não é.
O que é preciso para enfrentar a modernidade tecnológica que nos dá ociosidade e fracasso a cada instante? Na verdade, senhoras e senhores, a ociosidade é praga de quem não gosta de atravessar o tempo para criar espaços próprios e, aí, estabelecer metas para outras vivências. Os povos antigos eram mais ricos naquilo que é a noética de fazer a vida harmoniosamente. E se pensam que é alguma ciência tirem o ´cavalinho da chuva´, pois, noética é a percepção da liberdade de escolhas que realizam a mente progressiva nas pessoas ousadas – pessoas que rejeitam a mesmice e a preguiça.
Quando escuto alguém gritar “Que venha mais um ano novo!” em meio ao som do estouro da rolha que guardava o champagne, apetece-me fazer o mesmo, porque o desejo do novo é já uma meta no pensamento que se revigora, social e culturalmente. Infelizmente, são poucas as pessoas que escuto em tal circunstância. A maioria realiza-se no sucesso de algumas outras e cai na rotina do “faço o que posso, porque o mercado não rola”...! Eis o erro. E nesta mesmice da falta de opções em campo próprio é que nasce a frustração, pessoal e profissional. Surgem efeitos neuróticos e as pessoas caem no ciclo do abate psicológico em sofá chic de psiquiatra, para raramente retornarem à vida própria.
O empresariado está livre de tal praga? Não. E na maioria das vezes o empresariado paga com a própria frustração por não ter iniciado um ciclo profissional com metas a sinalizar, primeiro, a vida, e depois, o lucro. Quando é possível equalizar, ótimo. Mas é raro. Isso acontece com intelectuais (professores, jornalistas, escritores, etc.), tecnólogos, cientistas, e do operariado urbano ao rural. Só se livra da praga a pessoa que o é porque aprendeu a ser ao mesmo tempo em que está. Ora, não basta estar (nascer e cair na mesmice), é preciso aprender a ser (viver a vida na harmonia que ela oferece e ampliar esse benefício telúrico e cósmico), como muito bem ensinava Sócrates.
Ao fazer estou a rolha da garrafa que contém o champagne, lembre-se: a cada dia que passa precisamos descobri espaços e reinventar metas para alcançarmos a Vida que recebemos no ato de nascer...
João Barcellos
Historiador/Conferencista
[www.noetica.com.br]
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