Atividade Têxtil-Artística & Utilitária
Vocês sabem?... Por ignorância geográfica e cultural, o navegador Colombo nomeou os povos que encontrou na América como "índios", pois, ele achava ter encontrado a Índia. Já o escrivão Caminha, da frota de Cabral, somente fala "das gentes", e isso por saber que não estava na Índia e sim a caminho da Índia.
É tempo de se reeducar a Universidade brasileira para que o Povo Brasileiro tenha acesso à sua própria identificação geográfica e cultural.
Pois é, e por falar em Caminha, o escrivão, ele mesmo nos ensina que naquele “porto seguro” os portugueses encontraram uma atividade têxtil-artística e utilitária que os assombrou – a saber: “[...] No meio das ditas casas e dos ditos esteios põem uma rede de algodão atada [...]. E das penas dos ditos pássaros fazem chapéus e barretes que usam. A terra é muito abundante em muitas árvores e muitas águas: milho, inhames e algodão [...], têm redes e são grandes pescadores” – in ´Carta de Pêro Vaz de Caminha para D. Manuel´, na Terra de Sancta Cruz, 1500.
Pelas suas condições climáticas e geoestratégicas, o norte-nordeste é uma região predestinada a ser uma das bases econômicas do Brasil: foi e o é.
Daquelas redes de pesca e de dormir confeccionadas artisticamente com algodão, e apresentadas ao mundo no Séc. 16, às roupas e outras peças de algodão confeccionadas no Séc. 21, o norte-nordeste é uma espécie de eterno ´mapa da mina´ que o Brasil redescobre a cada nova era. Aqui fica o registro histórico que sinaliza os “quês” da atual demanda industrial e têxtil por essas paradas. João Barcellos / editor-historiador
do fabuloso Araçoiaba ao Brasil industrial
São poucas, infelizmente são poucas as pessoas que conhecem a história que gerou o Brasil industrial de hoje, a partir da velha Capitania de S. Vicente e da Villa jesuítica dita Sam Paulo dos Campu de Piratinin...
Com apoio do Centro de Estudos Históricos e Ambientais da Fazenda Ipanema, entidade criada por decreto do IBAMA, na região sorocabana, faz-se hoje uma releitura historiográfica e arqueológica do que foi a ação do minerador, fazendeiro, político, escravagista e banqueiro, Affonso Sardinha (o Velho), injustamente esquecido e vilipendiado pela mesquinhez de falsos intelectuais e acadêmicos. No final do Séc 16, esse português havia assentado a Fazenda Ybitátá [Butantã], conquistado o portinho fluvial da Carapocuyba e dado início à mineração de ouro e prata no Ybituruna [Araçariguama], e, sendo já Capitão das Gentes de Guerra da Villa, tomou o Pico Jaraguá e aí minerou ouro e prata, para logo abrir as minas de ferro no Morro Berasucaba em pleno sertão sorocabano no leito do Piabiyu, o velho caminho dos guaranis. E no Jaraguá fez a sua principal fazenda onde veio a morrer em 1616.
Com a fundição de ferro no Morro Berasucaba, hoje denominado Araçoiaba e/ou Ipanema, Affonso Sardinha (o Velho) fez do Brasil o primeiro núcleo industrial da América e o 7º governador Francisco de Souza aproveitou esse evento para dar à Villa paulista uma estrutura político-administrativa mais adequada, e o próprio (que morreu em 1611) chegou a despachar oficialmente nas minas de ferro no Morro Berasucaba, tal a importância que deu esse empreendimento em plena mobilidade socioeconômica sob a garantia da expansão geomilitar entre o Jaraguá, o Ybituruna e o Berasucaba, faróis a sinalizar já o Brasil-nação.
Ter conhecimento da história gerada por Affonso Sardinha (o Velho) é compreender o Brasil industrial de hoje, sabendo-se que também o Morgado de Mateus (governador paulista no Séc. 18) aproveitou o mesmo empreendimento e, através de Domingos Pereira Ferreira, reabriu a fundição sorocabana, que, já no Império brasileiro, deu origem à Real Fábrica de Ferro de S. João de Ipanema.
Hoje, quando se fabrica uma máquina têxtil, um quadro serigráfico, uma plotter, sabemos da perfeição industrial, mas devemos saber também que tudo começou na solidão e na precariedade das minas de ferro do Morro Berasucaba, sob a orientação de um notável estrategista chamado Affonso Sardinha...
João Barcellos [sinopse das palestras do escritor que prepara a edição do livro “do fabuloso Araçoiaba ao Brasil industrial”]
A primeira vez que enfrentei um tear para dotá-lo com um cérebro eletrônico aconteceu em 1969 e eu acompanhava um técnico: meu pai. A comunicação? A experiência dele, 6 papeis com circuitos desenhados à mão e 4 placas de circuito impresso que desenhamos e preparamos também manualmente. Mais de 40 anos depois vejo os teares lindos e maravilhosos serem conduzidos por computadores que posso gerenciar à distância, etc. e etc., ou seja, comunicar, curtir e produzir, como fazemos com e pelo telefone celular e outros aparelhos. Assisti ao fim da válvula com o surgimento do díodo e, agora, assisto ao fim de alguns serviços físicos que passaram a ser, ainda que não na maioria, virtuais/digitais.
O que me capacitou, a par da experiência que recebi do meu ´velho´, e das suas engenhocas robóticas, foi o incentivo da família à cultura geral e à leitura de história e filosofia. Por isso, o meu primeiro prêmio literário foi conquistado quando tinha 14 anos e já era, então, apaixonado por jornalismo e cinema. O que agora é Comunicar, Curtir & Produzir foi e é, para mim, uma interatividade mais sociocultural que virou atividade profissional... mas sem a parafernália e os parafutrecos digitais de hoje.
Se assim é com o ramo tecnológico, também é com o intelectual, e aqui entra o Jornalismo e a indústria da Comunicação Visual e da Moda. Para comunicar e curtir é fácil, para fazer disso uma plataforma profissional é preciso fazer funcionar o cérebro, e mais: dedicação, estudos e muita criatividade cultural. João Barcellos, editor
João Barcellos
Os pólos de interesse econômico movem-se, sempre, pelo rumo de um poder concentrado e ideologicamente delimitado. Não conhecer este conceito básico do capitalismo é desconhecer o universo da globalização iniciado com as sangrentas cruzadas místico-financeiras, nos Sécs 12 a 13, continuado com as caravelas mercantis e bélicas do Séc. 15, e amplamente reestruturado com a mobilidade técnico-econômica dos Sécs 20 e 21. Eis o ´nosso´ mundo.
Recentes fusões de empresas nos segmentos Têxtil e Serigráfico, assim como “a incorporação de unidades de tecnologia avançada nos parques convencionais gráficos, mostram que o Brasil, enquanto continente de inúmeras possibilidades mercantis, é, desde 2006, um nicho cobiçado pelos grupos transnacionais que tratam de eventos setoriais e de empresas da Comunicação Visual” [Mariana d´Almeida y Piñon, 2008]. A aquisição do Grupo Sertec pela transnacional Informa Group, em 2011, acaba de colocar a região e todo o parque industrial/comercial da Comunicação Visual numa ebulição socioeconômica, com uma questão a 40ºC e à sombra... Quem vai resistir ao processo de aquisições corporativas?
Em muitos países, empresas tradicionais de atividade têxtil-serigráfica foram adquiridas e, com elas, empresas de exibição de produtos [feiras], porque “um pólo de interesse industrial e mercantil só é válido quando no seu bojo existe uma linha editorial de alto nível criativo, uma vez que a estética corporativa é o cartão de visitas que abre opções econômico-financeiras” [João Barcellos, 1994]. Ao se permitir manter os profissionais do Grupo Sertec, a Informa Group mostrou saber que em ´time vencedor não se mexe´ e isso é um fato social de alta relevância para os primeiros passos de uma aquisição corporativa sob estrutura transnacional. A atuação do Informa Group vai estar sob observação das comunidades da Comunicação Visual brasileira nos próximos tempos, mas, desde já, sabe-se que a meta se encaixa no conceito geral da economia globalizada. Boa sorte.
BARCELLOS, João
Escritor/Conferencista
João Barcellos
Quem disse que a ficção científica não ´encara´ a realidade? Sem precisarmos descer na Lua, já vivenciamos cotidianos tecnológicos a bordo de uma Nuvem... E nem sendo ela de fumaça, lembra-nos a famosa “linha imaginária” do Tratado de Tordesilhas! Pois é, e o melhor é começarmos todos a imaginar que o que fomos não será mais, e que nem sempre o presente é o que queremos, porque nele está embutido o futuro. Parece até uma frase do ´bruxo´ Fernando Pessoa, mas não é. É a realidade das Tecnologias da Informação e Comunicação [TIC´s] que se mexem através de uma nuvem digital [iCloud] que dá guarida e repassa mensagens de aparelhos portáteis de comunicação [iPhone ou iPad e outras geringonças], além de funcionar como estação para serviços gráficos de internautas em viagem ´digital´.
E a Imprensa? Ou melhor: Como se comporta a Imprensa que trata dos nichos mercadológicos e dita ´Setorial´? Algumas pessoas dizem que “vai bem”, outras dizem que vai “demorar para apresentar alternativas”. Será?
Em cerca de 40 anos de Jornalismo [social, cultural, político, dentro e fora da Língua Portuguesa], ultimamente corporativo e cultural, percebo que a Imprensa Setorial só ganha com as variantes oferecidas pelas TIC´s, pois, como diz o poeta J. C. Macedo, “a Imprensa é uma ´nuvem´ que carrega e descarrega dados de Informação e de Comunicação”, e apenas tem que se adequar, como quaisquer outros ramos de atividade, às novas plataformas operacionais.
É preciso ter bom senso sociocultural: a Imprensa é a plataforma profissional que permite a Publicidade em geral. Pensar diferente é isolar a Comunidade, a Empresa, a Pessoa Empreendedora, etc. e etc., ao mesmo tempo em que os mercados encerram as atividades. A importância da Imprensa Setorial está aqui, entre o Mercado e a Opinião Mercadológica. João Barcellos
BARCELLOS, João
Escritor/Conferencista
João Barcellos
Alguém tem dúvidas? Olhem lá para trás... Em pleno Séc. XVI um ´cara´ chamado Afonso Sardinha [o Velho´] decidiu subir a Serra do Mar e instalar na Sam Paulo dos Campu de Piratinin o primeiro Trapiche [engenho d´açúcar] e, logo depois de tomar o Portinho de Carapocuyba, foi minerar ferro na Floresta d´Ypanen, onde assentou o primeiro momento industrial da América... E, antes dele, o Bacharel de Cananéia havia construído o Porto das Naus em Gohayó [S. Vicente] para atender à própria demanda de serviços costeiros. Hoje, é esse espírito industrial que tem de ser levado em conta para que a velha Sampa das mil oportunidades não paralise no âmbito dos negócios ´made in brazil´!
A maioria dos negócios é feita por micro e pequenas empresas, em todo o mundo, e tal maioria tem favores dos governos que incentivam a economia local, mas essa “opção nacional” não é adotada no Brasil, cujo custo operacional emperra e fecha as portas de muitas empresas.
A produção industrial brasileira está completamente isolada do resto do mundo e sobrevive, ainda, porque os industriais vivem a alma industrial dos primeiros empreendedores luso-paulistas, ou seja, inovam idéias e produtos a cada instante, mas... estão diante de um desafio: não adianta serem melhores que os estrangeiros, têm de tomar o poder político nacional para estabelecerem regras de apoio decisivo ao Produto Brasileiro, ou vão morrer na praia como aconteceu, por ex., com o Bacharel de Cananéia, que não soube expandir os seus negócios além da Serra do Mar.
A indústria não se faz apenas com o “estar empresário”, é preciso “ser empresário” para inovar e modernizar o País com esforço próprio.
BARCELLOS, João
Escritor/Conferencista
João Barcellos
Durante os 4 dias que durou o evento TecnoTêxtil Brasil, em Abril de 2011, na cidade de São Paulo, ouvi diversas expressões e mais esta: “Uh, caraca... e é mesmo?!...”.
O stand da Revista I&C virou uma quase piada: sempre que alguém folheava a revista de Abril e dava com a matéria sobre a Moçambique Fashion Week [MFW], pimba, lá vinha mais uma daquelas ´bocas abertas´ de incredulidade. “Se ainda fosse África do Sul... Agora, Moçambique...?!”, quase berrou uma estudante universitária. E foram várias, vários. Será que a África lusófona não está no mapa?
Mas não é só no Brasil que se pensa que a África é uma ficção. Por causa do espanto, comecei a pedir para lerem o recadinho inserto no cartaz da MFW reproduzido na matéria: “Conheça a África que não aparece na National Geographic”. É que para muitas pessoas ´civilizadas´, lá na África só existe elefante... João Barcellos
João Barcellos
Alinhavar um Conceito com a perspectiva de gerar Tendência[s] é um exercício tão filosófico quanto o Trabalho que processamos para termos acesso aos bens essenciais à nossa sobrevivência.
O esforço intelectual dos grupos que gerenciam a construção da Imagem Corporativa [seja ela industrial, comercial, esportiva, política, religiosa, ou cultural e social] é um ato noético que tem envolvimento com o núcleo duro da Ideologia que sustenta o Poder institucional, uma vez que, quer se queira ou não, a censura/patrulha ideológica é um movimento que tenta, sempre!..., barrar o idealismo que pode[rá] romper fronteiras e isso, principalmente, no campo da Estética.
A construção de uma Imagem Corporativa, principalmente quando ela vai se manifestar autonomamente ao Poder institucional, exige dos grupos intelectuais uma criatividade que os leva, na maioria das vezes, a produzir Tendência[s] periféricas que funcionam como ondas do Conceito projetado, o que acontece no desenho industrial e na moda, mas também na política [a situacionista e a oposicionista] e nos atos socioculturais, etc., pelo que a Estética é, filosoficamente, a ação noética que melhor oferece trabalho libertário à intelectualidade.
Sabemos que “...a Estética sempre está envolvida com a dinâmica das Tecnologias inventadas e aperfeiçoadas a cada nova geração, e é por isso que a Imagem Corporativa relaciona-se com as variantes da modernidade de cada época e incorpora, quando não reinventa, comportamentos...” [J. C. Macedo – in “Estética e Tecnologias”, artigo; Lisboa/Pt, 2001]. Quando um Conceito emerge da sopa de interesses consumistas, ou socioculturais e políticos, logo percebemos a possibilidade de Tendência[s] que ele poderá desencadear na Sociedade, local ou internacional. O resto... bem, o resto são aproximações e/ou adesões que o instinto da Pessoa vai digerir, ou não... João Barcellos
João Barcellos Participamos, hoje, de uma mobilidade que abrange técnicas de vários processos produtivos, o que melhora a qualidade dos mesmos e oferece resultados que a sociedade aplaude nas linhas de consumo. Mas esta mobilidade não é de hoje: conhecemos a mobilidade socioeconômica desde os tempos do político, banqueiro, comerciante, escravagista e minerador Afonso Sardinha (o Velho), no Séc. XVI luso-paulistano, tempos reinventados no Séc. XVII já luso-brasileiro pelo padre-mercador Guilherme Pompeu de Almeida quando os mestres de ofícios eram homens-livres e, através de fianças e escambos, faziam do Piabiyu (a rota sul-americana dos guaranis) a maior zona franca do comércio sul americano. Os tempos do Séc. XXI são outros. Os ofícios também são outros, embora alguns, como o de oleiro, alfaiate, ferreiro, etc., continuem na linha produtiva artesanal. E se naquele período pré-bandeirístico e bandeirístico as tecnologias interagiam para uma funcionalidade de alta produção resultando numa plataforma socioeconômica de qualidade renovadora com vistas ao progresso geral, do indivíduo-família e da colônia, no nosso tempo temos em vista uma melhora qualitativa e quantitativa em relação ao bem-estar. Ora, a complexidade cientifico-tecnológica que nos cerca permite-nos reinventar sistemas de produção industrial e canais de informação que modernizam a sociedade local e a humanidade no seu todo multicultural: do ancestral caminho continental dos guaranis (que se comunicavam de koty em koty por diversa sinalização, entre a fumaça e o tambor) ao telefone digital, vivenciamos plataformas tecnológicas que agregam funções diretamente ligadas ao progresso humano, e cada tempo tem a sua modernidade. Aquele tempo da fiança e do escambo pelo fio de cabelo ou do bigode não existe mais, mas a fiança e o escambo continuam de um jeito ou de outro nos nossos dias... Um dos parques industriais onde a mobilidade técnico-funcional é fundamental, e observada em cada gesto, é o da Comunicação Visual. De entre as etapas da confecção gráfica de um folheto/volante e da confecção têxtil-serigráfica de uma estampa em tecido ou papel, da gravação tampográfica de uma marca num produto e da mesma pela termotransferência em outro objeto, etc e etc, verifica-se muitas vezes que o suporte/mídia é o mesmo, ou que as tintas pouco diferem nas suas formulações pelo apuro nanotecnológico; e que todo esse exercício analógico pode ser feito no modo digital, sendo que já a função gráfica atua... digitalmente! Pode se dizer, agora, que a Comunicação Visual existe pela mobilidade técnico-funcional que lhe dá qualidade produtiva e a deixa eternamente moderna. Aquela pintura corporal dos povos americanos da Insulla Brasil dizia-nos de culturas geograficamente definidas no continente amazônico-atlântico, e a fotografia e o cinema dizem-nos de culturas diversas entre o oriente e o ocidente: no todo, verificamos uma imagem graficamente especializada em tempos diferentes e que têm a sinalização em comum para um espaço chamado humanidade. Por mais que se invente e reinvente processos tecnológicos para funções de arte utilitária, o que está em jogo é sempre uma idéia em comunicação... [jb]
1 E era assim... A todo o instante lá aparecia um empresário, ou um técnico, para nos dizer que “a Serigrafia tem os dias contados diante da Plotagem”. Entre os anos 1997 e 2001 essa frase foi um terrível pesadelo para muitas pessoas que nasceram entre serigrafistas. Entretanto, entre 2007 e 2010, começamos a escutar que “a Serigrafia é um processo velho, mas agora está beneficiado com as tecnologias digitais”; e aquelas teses que determinavam o “fim da Serigrafia” passaram a ter uma nova roupagem, uma adequação circunstancial. Entre uma e outra tese observávamos que “um processo técnico de gravação e/ou estampagem nunca é velho, porque pode ser adaptado, modernizado, como sabemos pelos meios gráfico e têxtil”. Aos poucos, percebemos que as pessoas começaram a falar, nas empresas e nas feiras setoriais, de “processo técnicos híbridos que salvaguardam no novo um velho sistema”. Tudo bem, que assim seja. O que importa não é carregar uma tese que se sabe falsa, mas constatar que tudo é válido quando buscamos aperfeiçoar a nossa maneira de ser e estar, de trabalhar! 2 Acessar plataformas de impressão a partir da telefonia, em qualquer lugar e hora, é ter a possibilidade de resultados profissionais, sejam artísticos ou mercantis, num espaço entre meios físicos e digitais. Um espaço que a HP designa por ´cloud computing´ [q.s. ´computação nas nuvens´] e para o qual fabrica um leque de aparelhos que permitem tal mobilidade em processos interativos de trabalho editorial. Mas, não há novidade: a máquina gráfica sempre esteve, e está invisível aos olhos de quem lê publicações impressas e digitalizadas; o processo gráfico vai ficar mais invisível, mas, talvez, mais tecnologicamente aperfeiçoado entre empresas provedoras de serviços e usuários... Isto já é 2011. João Barcellos
A Quem Realmente Interessam...?
Fico preocupado quando algum político me vem, ou assalta, com a conversa“...na minha cidade tenho que implantar uma lei cidade limpa”. Ele leu ou escutou algo sobre a tal lei em algum lugar e quer fazer ´bonito´ na sua cidade, mostrar-se ´moderninho´, talvez até ´politicamente correto´ para desviar a atenção dos rombos no cofre público.
Por que os políticos de cidadezinhas interioranas estão a ´discutir´ se vale a pena, ou não, ´importar´ da estupidamente ignorante Sampa da politicagem eleitoreira uma lei que inibe a publicidade impressa em pequenos e grandes cartazes?
É verdade. Aquela Sampa das muitas oportunidades é uma, e a Sampa das políticas públicas eleitoreiras é outra...
Mas vamos assunto: os políticos municipais (vereadores e prefeitos) precisam apresentar projetos, e quanto mais próximos das ´realizações´ administrativas da ´cidade grande´ melhor. Quem pode ser contra? Ora, se “a cidade grande fez, por que a cidade pequena não pode?”, questionam-se. E, até aqui, estão certos. Mas, na maioria das vezes erram ao copiar integralmente as leis feitas para uma circunstância urbana metropolitana, porque as necessidades de uma cidade pequena são outras. Logo, o erro é duplo ao não contemplar um estudo de adaptação legislativa.
Exemplo? Vamos lá... Numa cidade pequena utilizam-se faixas e cartazes para anunciar produtos e eventos, e raramente grandes painéis. Ao tentar ´disciplinar´ tal atividade de comunicação visual os políticos das cidades interioranas, cometem o mesmo erro daqueles da cidade grande: em vez de fiscalizarem efetivamente a atividade dos profissionais da Comunicação Visual [serigrafias, gráficas, ´signmakers´, etc., além das agências de publicidade] partem para a agressão ética a um todo profissional que paga impostos e gera empregos. O que os ´pequenos´ não devem copiar dos ´grandes´? A falta de visão político-administrativa que fere princípios constitucionais no que tange à liberdade de expressão e ao livre exercício profissional.
Uma solução? Ora, mas é claro... Não se pode apenas criticar, é preciso fazê-lo com a contrapartida de soluções adequadas. E, no caso das leis tipo ´cidade limpa´ o melhor é que os políticos chamem para audiência pública os profissionais dos segmentos que geram a Comunicação Visual e estabeleçam um diálogo aberto. Seja na cidade grande ou na pequena, o que interessa é uma política pública aberta aos interesses gerais, e isso sim, é política democraticamente correta.
“olhar e pensar Brasília como uma estampa arquitetônica”
Era preciso deslocar a Capital imperial do meio do povo para o meio de um planalto longínquo, mas essa tarefa, vislumbrada ainda pelo cientista, professor e reinol José Bonifácio de Andrada e Silva, só veio a ser executada pelos políticos imperiais da República, chefiados pelo presidente Juscelino Kubitschek – uma Capital que veio a ser inaugurada com pompa palaciana em 21 de Abril de 1960.
Para as pessoas que gostam de olhar e perceber os quês da urbanidade, Brasília nasceu de um traço arquitetônico que é uma sublimação: da realidade política monárquica para a realidade republicana imperialmente concebida sob os eixos do poder das elites. Assim pensou Lúcio Costa, que projetou o espaço paisagístico, e assim Oscar Niemeyer projetou a construção urbana enquanto comunicação visual arquitetonicamente impressa para o olhar de cada pessoa. Já para o abastecimento na nova metrópole, a turma da Cooperativa Agrícola Cotia [CAC] esboçou e assentou um cinturão verde que logo desenhou a cidadania que se basta a si mesma.
Olhar e pensar Brasília fora do eixo político-eleitoral é olhar e pensar Brasília como uma estampa arquitetônica que nos toma pela poesia da sua própria comunicação visual.
E num aparte setorial, deve-se dizer que, hoje, Brasília abriga profissionais da Comunicação Visual que deram mostras de alta capacidade artística e industrial em diversos momentos da vida publicitária desta Capital que enche os olhos do mundo; oficinas e lojas estão por toda a cidade e fazem parte do progresso local. A elas e eles da Comunicação Visual brasiliense o abraço da Revista I&C.
A psicóloga e socióloga suíça Elen R. Cédron costuma dizer que “uma empresa sustenta-se no sucesso enquanto os seus recursos humanos atuam em harmonia social e profissional”. Nada mais preciso e precioso. No entanto, muitas empresas que acabam por alcançar o sucesso nos seus respectivos mercados, logo enfrentam problemas internos. O que se passa?...
A jornalista e professora Marta Novaes, que estudou vários casos na Argentina e no Chile, afirma que “o sucesso de uma empresa acarreta uma responsabilidade ética que raramente é observada, ou seja, executivos e técnicos aproveitam o êxito de um produto e se escondem nele não repassando informações ao todo industrial que originou tal produto, e a empresa sofre com a chantagem”. Ouvi o mesmo de empresárias e empresários no Brasil, na Espanha e em Portugal: “...a pessoa cresce na empresa, que lhe paga os estudos e o aperfeiçoamento profissional, mas na primeira oportunidade... ou vende os conhecimentos para a concorrência, ou chantageia a administração para continuar a reinar ali mesmo, mas impedindo o resto do pessoal de ter acesso aos dados técnicos”, diziam e dizem.
Como combater a chantagem funcional de executivos e técnicos que cometem o crime ético?
Para o psiquiatra Marc R. Cédron, pai da psicóloga citada, “a chantagem que fere a ética profissional deve ser combatida com tratamento de choque: pessoa que rompe a harmonia de um ambiente de trabalho coletivo deve ser [...], primeiro, isolada e instada a repassar as informações retidas por ela; segundo, caso não o faça, a empresa deve elaborar uma queixa-crime na justiça enquanto a despede por justa causa, uma vez que os dados retidos são pertença da instituição e não podem passar para outra sem uma negociação adequada; e terceiro, aproveitar o caso para demonstrar que uma empresa é um coletivo de classes sócio-profissionais que devem atuar com ética e para o bem comum”.
A chantagem é uma das armas mais comuns utilizadas no universo empresarial, mas o caso mais grave é o da pessoa que foi instruída pela empresa para receber uma educação especializada e que, depois, passa a exigir ´status´ de ´eu quero, tenho a informação e mando´, deixando esse núcleo empresarial à sua mercê... porque, “ou fazem o que eu quero ou vou embora!”, ouve-se muitas vezes. É uma chantagem funcional que levará, em pouco tempo, uma empresa de sucesso à ruína plena.
A serigrafista e micro-empresária brasileira Maria Arruda diz que “uma empresa deve cuidar do quadro de funcionários da mesma maneira que uma mãe e um pai olham para os filhos: com a humanidade que constrói a lealdade”. Isso não significa que um caso de crime ético não ocorra e a chantagem não surja, mas também é verdade que não basta pagar um curso, uma especialidade, é preciso acompanhar socialmente a pessoa que se quer uma profissional mais bem preparada.
João Barcellos
A “indústria da Comunicação Visual”, que o mesmo é dizer dos “sistemas de tratamento e impressão de imagem para estamparia, têxtil ou gráfica”, como a Profª Carlota M. Moreyra gosta de sublinhar em suas aulas, em homenagem a técnicos e editores preocupados com definições mercadológicas, é uma indústria que encontra obstáculos burocráticos e econômicos institucionalmente estabelecidos, e raramente tem como removê-los. Industriais e técnicos têm batalhado para mostrar e demonstrar, ao Governo brasileiro, o quanto o ´custo brasil´ pesa na Comunicação Visual e quanto dificulta o investimento em novos recursos. Por seu lado, a Revista I&C, que é um dos alicerces do segmento promocional dessa indústria, junto com grupos organizadores de feiras setoriais, vem mantendo o alerta: é preciso que o empresariado da Comunicação Visual tome ciência da importância que tem no mundo do Trabalho e da Economia para poder se representar diante do Governo com oportunidade de diálogo, ou o ´custo brasil´ vai continuar a castigá-lo. Grandes eventos setoriais vão mexer com a sociedade brasileira nos próximos seis anos, e a Comunicação Visual tem de se preparar para estar tecnicamente pronta para a demanda de serviços especializados em têxtil-serigrafia, plotagem, tampografia, transfer, e também muito artesanato. Vai ser preciso investir no setor de máquinas e equipamentos, e muito em recursos humanos. Logo, é preciso que o Governo abra mão de alguns impostos... ou dificilmente uma parte das micro-empresas terá oportunidade de negócios no futuro próximo! O ´custo brasil´ está aí e as oportunidades também. Falta ao Empresariado e ao Governo um diálogo que abra as portas para o desenvolvimento social e tecnicamente sustentável. E, não se pode apenas aguardar, é preciso agir! .
Texto-base da conferência web “Pessoas & Comportamentos”,
de Carlota M. Moreyra, J. C. Macedo e Marta Novaes, 2007.
“Precisamos pensar e ter em fé nós, pessoas!”
Manuel Reis, filósofo.
Estamos a caminho de uma nova ordem mundial pela qual o pensamento será o bem mais precioso. “A sociedade precisa que cada pessoa conquiste em si mesma mais espaço e, nele, a liberdade necessária para a criação da liberdade” [Macedo, 2003].
Idealizar e registrar uma empresa, ou um produto industrial a ser comercializado, é´algo´ fácil. O ´busílis´ da questão não está na idéia nem no produto, está no comportamento ético profissional da pessoa que, se não sistematiza a sua ação, perde a idéia e perde o produto.
O pensamento sistêmico é a abordagem da realidade tal qual ela nos surge, ou a produzimos. “[...] Não é possível conceber a realização de um projeto empresarial se não o entendermos pela interdisciplinaridade que o complexo industrial-comercial exige, i.e., devemos ter ciência das matérias-primas, da aplicabilidade técnica e do bem-estar social e econômico que vamos proporcionar”, como disse João Barcellos ao palestrar sobre o livro “Nova Economia...”, do filósofo Manuel Reis.
A cada instante ouvimos falar de conceitos e de tendências, mas raramente buscamos a raiz que gerou esses caminhos no âmbito da sociedade consumista. Esta falta de conhecimento e, principalmente, falta de vontade para o conhecimento, cria no meio empresarial um analfabetismo funcional que impede, a médio-prazo, o sucesso de projetos perfeitamente realizáveis.
Quando celebramos a pessoa-empresária que pensa, que age como alguém que é ´algo´ em si mesma e cria oportunidades para outras pessoas, fazemo-lo para incentivar as pessoas dos segmentos produtivos a olharem para si mesmas e buscarem no sucesso das outras a estrada nova e um novo envolvimento ético profissional. Isto, senhoras e senhores, é a base de quaisquer projetos sustentáveis e, sobretudo, a base da pessoa envolvida com a sociedade.
Ninguém chega impunemente aos 24 meses de atividade profissional. Seja experimentalmente, seja já no alto da capacitação que, mesmo assim, deve ser re-avaliada periodicamente. E o mesmo acontece com o produto editorial, seja revista, jornal, rádio, televisão, web, e outras novidades que nos chegam entre as últimas gerações de tecnologia na área das comunicações.
Revista I&C está nos mercados da Comunicação Visual divulgando o que é e como trabalhar a imagem graficamente especializada sob processos de estamparia têxtil-serigráfica, digital, tampográfica, direta ou sublimaticamente, e os artesanais.
Vai entrar em 2010 na sua 3ª fase editorial-comercial na certeza de ter contribuído para uma melhoria no conceito profissional com o qual deve ser tratada a Comunicação Visual. Ou seja: 2 anos de experiência para pessoas que estão no ´batente´ há mais de 10 anos, mas, 2 anos de uma certeza profissional: um trabalho eticamente desenhado e executado enquanto Imprensa Setorial, tanto impressa [revista] como eletrônica [web].
Com colaborações técnicas de especialistas, incluindo de leitoras e leitores, e peças editoriais próprias, a Revista I&C já foi, em 2 anos, referência acadêmica em 3 teses [Portugal e Brasil] de professores de Artes Visuais, duas delas através da citação do livro “Comunicação Visual” [João Barcellos, 2008], e de palestras do seu autor; por outro lado, escolas técnicas com cursos direcionados à estamparia têxtil-serigráfica no ramo da moda têm a Revista I&C como banco de dados sobre empresas, produtos e métodos de aplicação.
A participação da Revista I&C em feiras técnicas têxtil-serigráficas e de impressão digital [plotagem] transformou-a num ponto de observação direta sobre os segmentos da Comunicação Visual e da Moda.
Distribuída diretamente na Grande São Paulo e via Correios para todo o Brasil, e mundo lusófono, a Revista Impressão & Cores, agora também SGIA Member, ganhou o estatuto de produto editorial referência entre os segmentos da Comunicação Visual... e é assim que ela vai ´encarar´ 2010, e é assim que ela celebra os seus 2 anos de atividade!
O analfabetismo funcional está com os dias contados!
O técnico em plásticos e processo serigráfico Rodrigo Zucoly costuma dizer/escrever que “falta conhecimento acadêmico à maioria dos serigrafistas e que o próprio mercado não investe na capacitação profissional”, e, no caso da imagem digitalizada, o Prof. Medeiros afirma ser “...imprescindível um contato mais direto entre fabricantes de equipamentos e usuários em plotagem”, enquanto a Profª Carlota M. Moreyra, que agora leciona em Paris/Fr., continua com a certeza de que “enquanto o Brasil não formalizar contratos industriais com a respectiva transferência de tecnologias, o parque industrial vai continuar nas mãos de empresários que só querem a exploração de mão de obra barata, nunca o progresso nacional”.
No meio destas questões, outra – a saber: aos poucos, morrem os velhos técnicos da Serigrafia, do Transfer e da Estamparia em geral, e o seu pioneirismo raramente tem continuidade, a não ser em poucas empresas do tipo familiar, e o mesmo já começa a se verificar também na Plotagem.
Urge que os empresários brasileiros apostem mais na capacitação técnico-acadêmica dos seus funcionários, e estabeleçam, mesmo, uma linha de bolsas para jovens estudantes dês escolaridade técnica, cooptando-os para as áreas da Comunicação Visual. É que não existe mais espaço para o analfabetismo funcional e as tecnologias de última geração exigem conhecimentos alinhados com Cultura geral.
Sim, há controvérsia... Diz-se, na esfera governamental que não existe ´crise´, que, aliás, ´o Brasil nem entrou na crise econômica mundial de tão bem estruturado que está financeiramente´. Que bacana! Oh, paraíso dos paraísos...
As empresas que fecharam as portas e os trabalhadores que foram para o ´olho´ da rua e, paralelamente, o desespero de milhares de famílias, isso, oh, isso... o que é isso comparado com a ´fortaleza´ financeira que é o Brasil?! Nada. Paisagem sub-humana em meio ao fundamentalismo governamental de uma economia que desconhece políticas públicas de desenvolvimento de e para o todo humano.
Diz-se, ainda, diante da alegria especulativa do sistema bancário (´alegria´ subsidiada pelo nosso bolso), que a indústria brasileira só recuperará o seu fôlego produtivo ao longo de 2010. Eis por que há controvérsia quanto ao paraíso dos paraísos propagandeado por Lula e seus ministros e correligionários partidários.
Sim, há controvérsia... Sr. Presidente. Aonde estão os subsídios para a micro e a pequena empresa brasileira, que deveriam ser compensadas depois das milionárias ajudas financeiras aos bancos e às empresas multinacionais? Diz ainda o Sr. Presidente que largas massas entraram para o sistema de consumo e isso ajudou a ´espantar´ a crise mas não diz que isso é um ´milagre´ dos impostos que pagamos, e que essas massas não passam de mais um curral eleitoral... ora, Sr. Presidente, que bom seria se esse consumismo dos pobres brasileiros fosse resultado de políticas públicas verdadeiras em torno da Saúde e da Educação, do Trabalho e da justa Distribuição de Renda... mas não é. Por isso, há controvérsia. Hipocrisia eleitoreira não é ´milagre´ econômico nem é política pública para o bem estar de todos: é falsidade ideológica de caudilho alobado em pele de cordeiro xuxalista. Que o diga dona Marina Silva. Ou não?
Diz-se, ainda, que ´o Brasil vai ser a maior potência do mundo´. Errado, meus caros. Errado, porque o Brasil é há muito tempo a maior potência de matérias-primas do mundo, o problema que existe no Brasil é que os seus políticos não se identificam com esse poder e preferem ser capachos dos países ditos mais ricos e batalham por ´cositas´ insignificantes como um lugar no Conselho de Segurança da ONU, quando, o mais importante é assentar o Brasil entre os brasileiros e fazer ver ao mundo que o Brasil existe como potência e não como colônia...!...
Interpretar e viver a política é um exercício filosófico, porque nos exige conhecimento cultural e estrada social. Esta crônica é fruto de tudo isso.