A Quem Realmente Interessam...?
Fico preocupado quando algum político me vem, ou assalta, com a conversa“...na minha cidade tenho que implantar uma lei cidade limpa”. Ele leu ou escutou algo sobre a tal lei em algum lugar e quer fazer ´bonito´ na sua cidade, mostrar-se ´moderninho´, talvez até ´politicamente correto´ para desviar a atenção dos rombos no cofre público.
Por que os políticos de cidadezinhas interioranas estão a ´discutir´ se vale a pena, ou não, ´importar´ da estupidamente ignorante Sampa da politicagem eleitoreira uma lei que inibe a publicidade impressa em pequenos e grandes cartazes?
É verdade. Aquela Sampa das muitas oportunidades é uma, e a Sampa das políticas públicas eleitoreiras é outra...
Mas vamos assunto: os políticos municipais (vereadores e prefeitos) precisam apresentar projetos, e quanto mais próximos das ´realizações´ administrativas da ´cidade grande´ melhor. Quem pode ser contra? Ora, se “a cidade grande fez, por que a cidade pequena não pode?”, questionam-se. E, até aqui, estão certos. Mas, na maioria das vezes erram ao copiar integralmente as leis feitas para uma circunstância urbana metropolitana, porque as necessidades de uma cidade pequena são outras. Logo, o erro é duplo ao não contemplar um estudo de adaptação legislativa.
Exemplo? Vamos lá... Numa cidade pequena utilizam-se faixas e cartazes para anunciar produtos e eventos, e raramente grandes painéis. Ao tentar ´disciplinar´ tal atividade de comunicação visual os políticos das cidades interioranas, cometem o mesmo erro daqueles da cidade grande: em vez de fiscalizarem efetivamente a atividade dos profissionais da Comunicação Visual [serigrafias, gráficas, ´signmakers´, etc., além das agências de publicidade] partem para a agressão ética a um todo profissional que paga impostos e gera empregos. O que os ´pequenos´ não devem copiar dos ´grandes´? A falta de visão político-administrativa que fere princípios constitucionais no que tange à liberdade de expressão e ao livre exercício profissional.
Uma solução? Ora, mas é claro... Não se pode apenas criticar, é preciso fazê-lo com a contrapartida de soluções adequadas. E, no caso das leis tipo ´cidade limpa´ o melhor é que os políticos chamem para audiência pública os profissionais dos segmentos que geram a Comunicação Visual e estabeleçam um diálogo aberto. Seja na cidade grande ou na pequena, o que interessa é uma política pública aberta aos interesses gerais, e isso sim, é política democraticamente correta.
“olhar e pensar Brasília como uma estampa arquitetônica”
Era preciso deslocar a Capital imperial do meio do povo para o meio de um planalto longínquo, mas essa tarefa, vislumbrada ainda pelo cientista, professor e reinol José Bonifácio de Andrada e Silva, só veio a ser executada pelos políticos imperiais da República, chefiados pelo presidente Juscelino Kubitschek – uma Capital que veio a ser inaugurada com pompa palaciana em 21 de Abril de 1960.
Para as pessoas que gostam de olhar e perceber os quês da urbanidade, Brasília nasceu de um traço arquitetônico que é uma sublimação: da realidade política monárquica para a realidade republicana imperialmente concebida sob os eixos do poder das elites. Assim pensou Lúcio Costa, que projetou o espaço paisagístico, e assim Oscar Niemeyer projetou a construção urbana enquanto comunicação visual arquitetonicamente impressa para o olhar de cada pessoa. Já para o abastecimento na nova metrópole, a turma da Cooperativa Agrícola Cotia [CAC] esboçou e assentou um cinturão verde que logo desenhou a cidadania que se basta a si mesma.
Olhar e pensar Brasília fora do eixo político-eleitoral é olhar e pensar Brasília como uma estampa arquitetônica que nos toma pela poesia da sua própria comunicação visual.
E num aparte setorial, deve-se dizer que, hoje, Brasília abriga profissionais da Comunicação Visual que deram mostras de alta capacidade artística e industrial em diversos momentos da vida publicitária desta Capital que enche os olhos do mundo; oficinas e lojas estão por toda a cidade e fazem parte do progresso local. A elas e eles da Comunicação Visual brasiliense o abraço da Revista I&C.
A psicóloga e socióloga suíça Elen R. Cédron costuma dizer que “uma empresa sustenta-se no sucesso enquanto os seus recursos humanos atuam em harmonia social e profissional”. Nada mais preciso e precioso. No entanto, muitas empresas que acabam por alcançar o sucesso nos seus respectivos mercados, logo enfrentam problemas internos. O que se passa?...
A jornalista e professora Marta Novaes, que estudou vários casos na Argentina e no Chile, afirma que “o sucesso de uma empresa acarreta uma responsabilidade ética que raramente é observada, ou seja, executivos e técnicos aproveitam o êxito de um produto e se escondem nele não repassando informações ao todo industrial que originou tal produto, e a empresa sofre com a chantagem”. Ouvi o mesmo de empresárias e empresários no Brasil, na Espanha e em Portugal: “...a pessoa cresce na empresa, que lhe paga os estudos e o aperfeiçoamento profissional, mas na primeira oportunidade... ou vende os conhecimentos para a concorrência, ou chantageia a administração para continuar a reinar ali mesmo, mas impedindo o resto do pessoal de ter acesso aos dados técnicos”, diziam e dizem.
Como combater a chantagem funcional de executivos e técnicos que cometem o crime ético?
Para o psiquiatra Marc R. Cédron, pai da psicóloga citada, “a chantagem que fere a ética profissional deve ser combatida com tratamento de choque: pessoa que rompe a harmonia de um ambiente de trabalho coletivo deve ser [...], primeiro, isolada e instada a repassar as informações retidas por ela; segundo, caso não o faça, a empresa deve elaborar uma queixa-crime na justiça enquanto a despede por justa causa, uma vez que os dados retidos são pertença da instituição e não podem passar para outra sem uma negociação adequada; e terceiro, aproveitar o caso para demonstrar que uma empresa é um coletivo de classes sócio-profissionais que devem atuar com ética e para o bem comum”.
A chantagem é uma das armas mais comuns utilizadas no universo empresarial, mas o caso mais grave é o da pessoa que foi instruída pela empresa para receber uma educação especializada e que, depois, passa a exigir ´status´ de ´eu quero, tenho a informação e mando´, deixando esse núcleo empresarial à sua mercê... porque, “ou fazem o que eu quero ou vou embora!”, ouve-se muitas vezes. É uma chantagem funcional que levará, em pouco tempo, uma empresa de sucesso à ruína plena.
A serigrafista e micro-empresária brasileira Maria Arruda diz que “uma empresa deve cuidar do quadro de funcionários da mesma maneira que uma mãe e um pai olham para os filhos: com a humanidade que constrói a lealdade”. Isso não significa que um caso de crime ético não ocorra e a chantagem não surja, mas também é verdade que não basta pagar um curso, uma especialidade, é preciso acompanhar socialmente a pessoa que se quer uma profissional mais bem preparada.
João Barcellos
A “indústria da Comunicação Visual”, que o mesmo é dizer dos “sistemas de tratamento e impressão de imagem para estamparia, têxtil ou gráfica”, como a Profª Carlota M. Moreyra gosta de sublinhar em suas aulas, em homenagem a técnicos e editores preocupados com definições mercadológicas, é uma indústria que encontra obstáculos burocráticos e econômicos institucionalmente estabelecidos, e raramente tem como removê-los. Industriais e técnicos têm batalhado para mostrar e demonstrar, ao Governo brasileiro, o quanto o ´custo brasil´ pesa na Comunicação Visual e quanto dificulta o investimento em novos recursos. Por seu lado, a Revista I&C, que é um dos alicerces do segmento promocional dessa indústria, junto com grupos organizadores de feiras setoriais, vem mantendo o alerta: é preciso que o empresariado da Comunicação Visual tome ciência da importância que tem no mundo do Trabalho e da Economia para poder se representar diante do Governo com oportunidade de diálogo, ou o ´custo brasil´ vai continuar a castigá-lo. Grandes eventos setoriais vão mexer com a sociedade brasileira nos próximos seis anos, e a Comunicação Visual tem de se preparar para estar tecnicamente pronta para a demanda de serviços especializados em têxtil-serigrafia, plotagem, tampografia, transfer, e também muito artesanato. Vai ser preciso investir no setor de máquinas e equipamentos, e muito em recursos humanos. Logo, é preciso que o Governo abra mão de alguns impostos... ou dificilmente uma parte das micro-empresas terá oportunidade de negócios no futuro próximo! O ´custo brasil´ está aí e as oportunidades também. Falta ao Empresariado e ao Governo um diálogo que abra as portas para o desenvolvimento social e tecnicamente sustentável. E, não se pode apenas aguardar, é preciso agir! .
Texto-base da conferência web “Pessoas & Comportamentos”,
de Carlota M. Moreyra, J. C. Macedo e Marta Novaes, 2007.
“Precisamos pensar e ter em fé nós, pessoas!”
Manuel Reis, filósofo.
Estamos a caminho de uma nova ordem mundial pela qual o pensamento será o bem mais precioso. “A sociedade precisa que cada pessoa conquiste em si mesma mais espaço e, nele, a liberdade necessária para a criação da liberdade” [Macedo, 2003].
Idealizar e registrar uma empresa, ou um produto industrial a ser comercializado, é´algo´ fácil. O ´busílis´ da questão não está na idéia nem no produto, está no comportamento ético profissional da pessoa que, se não sistematiza a sua ação, perde a idéia e perde o produto.
O pensamento sistêmico é a abordagem da realidade tal qual ela nos surge, ou a produzimos. “[...] Não é possível conceber a realização de um projeto empresarial se não o entendermos pela interdisciplinaridade que o complexo industrial-comercial exige, i.e., devemos ter ciência das matérias-primas, da aplicabilidade técnica e do bem-estar social e econômico que vamos proporcionar”, como disse João Barcellos ao palestrar sobre o livro “Nova Economia...”, do filósofo Manuel Reis.
A cada instante ouvimos falar de conceitos e de tendências, mas raramente buscamos a raiz que gerou esses caminhos no âmbito da sociedade consumista. Esta falta de conhecimento e, principalmente, falta de vontade para o conhecimento, cria no meio empresarial um analfabetismo funcional que impede, a médio-prazo, o sucesso de projetos perfeitamente realizáveis.
Quando celebramos a pessoa-empresária que pensa, que age como alguém que é ´algo´ em si mesma e cria oportunidades para outras pessoas, fazemo-lo para incentivar as pessoas dos segmentos produtivos a olharem para si mesmas e buscarem no sucesso das outras a estrada nova e um novo envolvimento ético profissional. Isto, senhoras e senhores, é a base de quaisquer projetos sustentáveis e, sobretudo, a base da pessoa envolvida com a sociedade.
Ninguém chega impunemente aos 24 meses de atividade profissional. Seja experimentalmente, seja já no alto da capacitação que, mesmo assim, deve ser re-avaliada periodicamente. E o mesmo acontece com o produto editorial, seja revista, jornal, rádio, televisão, web, e outras novidades que nos chegam entre as últimas gerações de tecnologia na área das comunicações.
Revista I&C está nos mercados da Comunicação Visual divulgando o que é e como trabalhar a imagem graficamente especializada sob processos de estamparia têxtil-serigráfica, digital, tampográfica, direta ou sublimaticamente, e os artesanais.
Vai entrar em 2010 na sua 3ª fase editorial-comercial na certeza de ter contribuído para uma melhoria no conceito profissional com o qual deve ser tratada a Comunicação Visual. Ou seja: 2 anos de experiência para pessoas que estão no ´batente´ há mais de 10 anos, mas, 2 anos de uma certeza profissional: um trabalho eticamente desenhado e executado enquanto Imprensa Setorial, tanto impressa [revista] como eletrônica [web].
Com colaborações técnicas de especialistas, incluindo de leitoras e leitores, e peças editoriais próprias, a Revista I&C já foi, em 2 anos, referência acadêmica em 3 teses [Portugal e Brasil] de professores de Artes Visuais, duas delas através da citação do livro “Comunicação Visual” [João Barcellos, 2008], e de palestras do seu autor; por outro lado, escolas técnicas com cursos direcionados à estamparia têxtil-serigráfica no ramo da moda têm a Revista I&C como banco de dados sobre empresas, produtos e métodos de aplicação.
A participação da Revista I&C em feiras técnicas têxtil-serigráficas e de impressão digital [plotagem] transformou-a num ponto de observação direta sobre os segmentos da Comunicação Visual e da Moda.
Distribuída diretamente na Grande São Paulo e via Correios para todo o Brasil, e mundo lusófono, a Revista Impressão & Cores, agora também SGIA Member, ganhou o estatuto de produto editorial referência entre os segmentos da Comunicação Visual... e é assim que ela vai ´encarar´ 2010, e é assim que ela celebra os seus 2 anos de atividade!
O analfabetismo funcional está com os dias contados!
O técnico em plásticos e processo serigráfico Rodrigo Zucoly costuma dizer/escrever que “falta conhecimento acadêmico à maioria dos serigrafistas e que o próprio mercado não investe na capacitação profissional”, e, no caso da imagem digitalizada, o Prof. Medeiros afirma ser “...imprescindível um contato mais direto entre fabricantes de equipamentos e usuários em plotagem”, enquanto a Profª Carlota M. Moreyra, que agora leciona em Paris/Fr., continua com a certeza de que “enquanto o Brasil não formalizar contratos industriais com a respectiva transferência de tecnologias, o parque industrial vai continuar nas mãos de empresários que só querem a exploração de mão de obra barata, nunca o progresso nacional”.
No meio destas questões, outra – a saber: aos poucos, morrem os velhos técnicos da Serigrafia, do Transfer e da Estamparia em geral, e o seu pioneirismo raramente tem continuidade, a não ser em poucas empresas do tipo familiar, e o mesmo já começa a se verificar também na Plotagem.
Urge que os empresários brasileiros apostem mais na capacitação técnico-acadêmica dos seus funcionários, e estabeleçam, mesmo, uma linha de bolsas para jovens estudantes dês escolaridade técnica, cooptando-os para as áreas da Comunicação Visual. É que não existe mais espaço para o analfabetismo funcional e as tecnologias de última geração exigem conhecimentos alinhados com Cultura geral.
Sim, há controvérsia... Diz-se, na esfera governamental que não existe ´crise´, que, aliás, ´o Brasil nem entrou na crise econômica mundial de tão bem estruturado que está financeiramente´. Que bacana! Oh, paraíso dos paraísos...
As empresas que fecharam as portas e os trabalhadores que foram para o ´olho´ da rua e, paralelamente, o desespero de milhares de famílias, isso, oh, isso... o que é isso comparado com a ´fortaleza´ financeira que é o Brasil?! Nada. Paisagem sub-humana em meio ao fundamentalismo governamental de uma economia que desconhece políticas públicas de desenvolvimento de e para o todo humano.
Diz-se, ainda, diante da alegria especulativa do sistema bancário (´alegria´ subsidiada pelo nosso bolso), que a indústria brasileira só recuperará o seu fôlego produtivo ao longo de 2010. Eis por que há controvérsia quanto ao paraíso dos paraísos propagandeado por Lula e seus ministros e correligionários partidários.
Sim, há controvérsia... Sr. Presidente. Aonde estão os subsídios para a micro e a pequena empresa brasileira, que deveriam ser compensadas depois das milionárias ajudas financeiras aos bancos e às empresas multinacionais? Diz ainda o Sr. Presidente que largas massas entraram para o sistema de consumo e isso ajudou a ´espantar´ a crise mas não diz que isso é um ´milagre´ dos impostos que pagamos, e que essas massas não passam de mais um curral eleitoral... ora, Sr. Presidente, que bom seria se esse consumismo dos pobres brasileiros fosse resultado de políticas públicas verdadeiras em torno da Saúde e da Educação, do Trabalho e da justa Distribuição de Renda... mas não é. Por isso, há controvérsia. Hipocrisia eleitoreira não é ´milagre´ econômico nem é política pública para o bem estar de todos: é falsidade ideológica de caudilho alobado em pele de cordeiro xuxalista. Que o diga dona Marina Silva. Ou não?
Diz-se, ainda, que ´o Brasil vai ser a maior potência do mundo´. Errado, meus caros. Errado, porque o Brasil é há muito tempo a maior potência de matérias-primas do mundo, o problema que existe no Brasil é que os seus políticos não se identificam com esse poder e preferem ser capachos dos países ditos mais ricos e batalham por ´cositas´ insignificantes como um lugar no Conselho de Segurança da ONU, quando, o mais importante é assentar o Brasil entre os brasileiros e fazer ver ao mundo que o Brasil existe como potência e não como colônia...!...
Interpretar e viver a política é um exercício filosófico, porque nos exige conhecimento cultural e estrada social. Esta crônica é fruto de tudo isso.